Mãe e filha: uma relação conflituosa - Blog Viver Feliz

Receba gratuitamente dicas e artigos do blog. Faça parte desse grupo de leitores.

Mãe e filha: uma relação conflituosa

Leia o desabafo de uma mãe desesperada que não consegue se entender com a filha adolescente. Esse é um conflito muito comum entre mãe e filha, e sempre é acompanhado de muita dor e sofrimento.

Neste e-mail vai o meu desabafo e meu pedido de ajuda, pois não tem sido fácil a relação com minha filha.

mulher-tristeTenho 40 anos, sou casada há 20 e tenho dois filhos, uma filha de 15 anos e um filho de 18. O meu filho já está na faculdade e trabalhando, minha relação com ele é normal. Ele é um menino amoroso e dedicado ao trabalho e aos estudos.

Meu maior problema se resume na relação difícil e descontrolada que tenho com minha filha. Simplesmente nós duas não conseguimos nos entender e eu já não sei o que fazer.

Se não fosse meu marido eu já teria mandado ela morar sozinha ou com os avós, vontade não me faltou.

Ela quer ter vida própria, não me escuta, não faz o que eu peço, não tem responsabilidade alguma, é muito respondona e rebelde. Além disso, não quer me obedecer e eu exijo obediência.

Ela é desorganizada, não posso contar com sua ajuda para nada.mae-e-filha-adolescente-discutindo

Eu fico me sentindo usada, explorada. Estou muito cansada desse tipo de conflito. Nunca tenho paz. Não passa um dia sem algum desentendimento.

Já tentei muitas estratégias. Não falar com ela. Deixar ela fazer tudo o que quiser sem cobranças. Mas nada disso melhora nossa relação.

Quero educá-la e mostrar a ela suas responsabilidades, que ela precisa colaborar, se esforçar nos estudos, ajudar nos afazeres domésticos. Tudo em vão.

Eu tive muitas dificuldades com minha mãe e não gostaria que isso se repetisse com minha filha.  Quero uma relação saudável com ela. Quero ser amiga, conselheira, companheira, mas ela não permite isso. Sinto que cada vez ela se afasta mais de mim.

Eu não gostaria que minha filha sofresse a ausência da mãe como eu sofri em relação a minha mãe.

Minha mãe foi sempre muito egoísta. Pensava somente nela. Nunca foi minha amiga. Só exigia coisas de mim e fazia cobranças. Nunca me senti amada pela minha mãe. Sempre desejei que ela cuidasse de mim.

Atualmente, raramente a vejo. Não tenho mais aquela necessidade de estar com ela. Ela não me faz falta. Quero viver longe dela. Não tenho boas lembranças da minha mãe.

Mas tudo o que eu quero é ser uma boa mãe para minha filha, demonstrar todo o meu amor a ela. Porém, sinto que isso está cada vez mais distante de acontecer.

Me ajude a me aproximar de minha filha e construir uma relação de amizade com ela, pois já não sei o que fazer, me sinto muito frustrada”. (L.J.S.)

mae-adolescente-conversa

Querida leitora, quero manifestar minha solidariedade a você nesse desabafo angustiante. Entendo sua dificuldade em se relacionar com sua filha e o quanto isso a tem feito sofrer.

Em seu relato você afirma que há um abismo entre mãe e filha, que as distancia e dificulta o diálogo.

Por outro lado, você também menciona sua incapacidade de se relacionar com sua própria mãe, dizendo até que não quer conviver com ela.

Sabe, desde o nascimento da menina, a trajetória mãe e filha é permeada por sentimentos e emoções complexas. É um misto de amor e ódio, disputas, expectativas, alegrias, cumplicidade, frustrações, ciúmes, mágoas, culpas, ressentimentos, poder, que vão se modificando ao longo do tempo.

Existem relações bem resolvidas entre mãe e filha, isso é possível. Mas o fato é, que há muitos casos de conflitos extremos, onde a convivência parece ser impossível.

Muitos desses conflitos têm origem na relação frustrante que a mãe construiu com sua própria mãe, e agora, tenta compensar com a filha, algo que gostaria de ter tido e não teve.

Isso faz com que a mãe fique refém de suas próprias carências e não consiga dar à filha aquilo que ela necessita. O resultado disso são as cobranças, insatisfações e frustrações na relação mal construída com a filha. A verdade é que ninguém dá aquilo que não tem.

A mãe inconscientemente acaba projetando na filha o tipo de relacionamento que manteve com a mãe e não será capaz de destinar à filha aquilo que não recebeu. O que infelizmente pode desencadear um círculo vicioso por gerações.

No íntimo, a mãe procura reviver a relação com sua mãe, agora no relacionamento com a filha. Como a filha tem sua própria individualidade o confronto começa.

Todo esse fardo emocional associado aos rompantes juvenis, acaba que por minar a construção de uma convivência saudável.

A mãe, ao gestar, projeta na filha, sonhos, expectativas, fantasias, impondo a ela, incumbências e encargos, que pesam nos ombros da criança e mais tarde na adolescente. Tirar essa carga da filha é uma questão de consciência da mãe.

Há também os desentendimentos entre pai e mãe que muitas vezes acabam por despejar suas frustrações nos filhos.

Quanto à filha adolescente, ela está se descobrindo nessa fase, buscando sua própria identidade. É um momento de muitas dúvidas e angústias.

Adolescente tristeA adolescente quer experimentar por si mesma. Ela tem seus desejos e expectativas. Quer tomar suas decisões, pois está construindo seu próprio mundo. A menina quer ser ouvida e respeitada por suas próprias opiniões. Ela quer ter seu espaço e ser reconhecida como alguém que pode decidir.

Entretanto, a mãe ainda a vê como sua menininha e acha que sabe o que é melhor para ela e como ela deve ser. Com isso, tenta impor sua vontade, pois a filha é só uma criança e deve obedecer.

Vejo muitas mães em conflito com a filha dizer: enquanto ela estiver sob a minha responsabilidade vai ser como eu quero!

Quando a individualidade não é respeitada a tendência é rebeldia, afronta, baixa autoestima, e ela passa a fazer qualquer coisa que a mãe não aprovaria.

Com interesses tão antagônicos são inevitáveis os conflitos de interesses. Se a mãe não tiver maturidade suficiente para contornar a situação, a convivência torna-se desastrosa.

Agora, também é verdade que os filhos nutrem muitas expectativas em relação aos pais e uma tendência a considerar mais as falhas do que os acertos. Essa tendência faz com que eles tenham dificuldades em reconhecer todo o bem que os pais fizeram e ainda fazem.

Pois bem, mãe angustiada, apresentei todas essas informações, porque, possivelmente, suas dificuldades em se relacionar com sua filha possui raízes bem mais profundas.

Você escreve de maneira muito clara, como foi e é, o seu convívio com sua própria mãe.

Eu entendo que você queira ser uma excelente mãe para sua filha e queira, sinceramente, se entender com ela.

Perceba que, para que isso aconteça, você terá que resgatar a filha que foi com relação à sua mãe. Pois assim, você entenderá a real situação que abala sua convivência com sua filha.

Negar a existência da mãe não é assim tão simples!

Como era a relação entre você e sua mãe? Como é a sua convivência com sua filha?

Há alguma semelhança?

mae-e-filho

Uma vez consciente das suas limitações e carências, terá condições de lançar um novo olhar para sua filha.

Você é um espelho para ela!

Minha sugestão é que você busque no seu interior os motivos que te afastaram de sua mãe. Analise com cuidado quais as atitudes dela que feriram você a ponto de não querer vê-la.

Será que há alguma semelhança na história com sua filha? Uma boa terapia poderá ajudá-la muito nessa tarefa.

Quanto à sua filha, digo a você:

Respeite sua individualidade.

Aceite-a como ela é.

Reduza suas expectativas em relação a ela.

Mesmo que ela seja diferente daquilo que você projetou e sonhou, ame-a.

Manifeste sua decisão de não abandoná-la.

Manifeste seu apoio incondicional a ela.

Pergunte o que ela pensa e quais os assuntos que lhe são importantes.

Ouça sua filha.

Tenha muita paciência com ela.

Deixe-a decidir.

Respeite seu espaço.

Dê atenção, demonstre amor.

Não fique com raiva dela.

Seja verdadeira, sincera. Sem cobranças.

Ajude-a com suas tarefas.

Não seja exigente em demasiado.

Evite julgamentos e críticas! 

Elogie.

Demonstre sua discordância com amor e respeito.

Jamais altere a voz ao falar com ela e, gentilmente, não permita que ela levante a voz com você!

 

 Ainda que você não concorde com as escolhas dela, vibre com suas vitórias e ofereça colo e apoio nas derrotas.

Com essas atitudes você irá resgatar a amizade dela e construir uma relação alicerçada no respeito, na confiança, na amizade e no amor. Não tenha medo.

Não é somente sua filha que precisa mudar, acredite, você também precisa.

Faça a sua parte.

A pessoa que ela se tornará dependerá de tudo o que ela própria assimilar das experiências que viveu e da convivência com você.

Uma relação construída nestes termos será muito valiosa e cheia de amor!

Pense nisso!Carinha feliz

Mãe e filha felizes

 

Fique por dentro de todas as novidades do blog:

Deixe seu comentário




Leia mais




Ver peliculas online